
Confesso que a chegada do Natal me deixa sempre um pouco triste. Nostalgia de tempos áureos ou mágoas insolúveis, a verdade é que a contagem decrescente para a grande Noite me provoca uma certa melancolia.
Uma angústia que tento disfarçar (mal) e que me habituei a combater com alguns truques (nem sempre eficazes).
Entre ataques de fúria contra filas intermináveis no trânsito, supermercados apinhados, campanhas publicitárias sufocantes e manifestações instantâneas de paz e harmonia, é sobretudo na ilusão e no simbolismo que a tradição natalícia preserva junto dos mais pequenos que vou buscar força e ânimo para celebrar, com criatividade, alegria e algum humor, o nascimento do Menino Jesus. Afinal, que melhor para nos cativar que o olhar de uma criança?
Além de que, cabe-nos a nós, crescidos, a responsabilidade de fazer do Natal uma data mágica. Melhor ainda, inesquecível e memorável.
Para lá de convicções religiosas mais ou menos fervorosas, não nos podemos esquecer que o feitiço não dura sempre e que, não tarda nada, os nossos filhos ficam "desiludidos" com o Pai Natal. E porque "aquele dia passa tão depressa", há que aproveitar os preparativos para desfrutar, em pleno, de uma data tão especial. Dos enfeites da árvore à decoração da casa, da montagem do presépio à escolha dos menus, do envio das Boas-Festas à carta para o Pai Natal, tudo pode servir para (re)viver uma tradição recheada de valores, personagens e histórias. Que vai muito além dos tão ansiados presentes e que pode, mercê de algum empenho e imaginação, transformar-se numa oportunidade única para apelar à fantasia, mas também ao engenho, à harmonia e à generosidade. Verão que as crianças vão adorar! E, um dia mais tarde, agradecer...